1. SEES 29.5.13

1. VEJA.COM
2. CARTA AO LEITOR  A VERDADE DOS FATOS
3. ENTREVISTA  ABRAHAM SKORKA  O AMIGO JUDEU DO PAPA FRANCISCO
4. CLAUDIO DE MOURA CASTRO  O OUTRO CUSTO BRASIL
5. MALSON DA NBREGA  O NOVO BANCO FEDERAL
6. LEITOR
7. BLOGOSFERA
8. EINTEIN SADE  HIPOTERMIA APS PARADA CARDACA

1. VEJA.COM
EDITADO POR KTIA PERIN kperin@abril.com.br

LIVROS PARA MENTES SADIAS
At h pouco tempo encantados pelas fantasias de bruxos, vampiros e anjos, os leitores infantojuvenis esto agora tomados pela dura realidade de vtimas de cncer, transtornos alimentares, automutilaco e depresso. So os representantes do que a imprensa americana j apelidou de sick-lit (literatura de doena), expresso derivada de chick-lit (a literatura feita para mulherzinha). Mas esse filo, que  um fenmeno comercial, poderia ser definido ainda de outra forma: como a literatura que no subestima o adolescente. E que o adolescente no subestima. Matria do site de VEJA explica o sucesso desses livros, mostra como eles so recebidos por pais e professores e como podem contribuir para o amadurecimento juvenil. A reportagem traz ainda a lista dos principais representantes do filo e uma entrevista com o americano Stephen Chbosky, de As Vantagens de Ser Invisvel.

PERGUNTE AO MDICO
Dvidas sobre doenas como hipertenso, miopia, depresso e gripe? VEJA.com conversa periodicamente com os maiores especialistas do pas para responder a perguntas dos leitores. Desde 2010, a seo Pergunte ao Mdico j entrevistou 81 mdicos, de 27 especialidades, que responderam a 1053 perguntas. Nesta semana, o mdico Ralcyon Teixeira, infectologista do Hospital Emlio Ribas, em So Paulo, fala sobre as causas, os sintomas e o tratamento da conjuntivite, doena que costuma atacar a populao com a chegada do inverno.

DE CARONA AT O SENADO
Os brasileiros sabem que o salrio de um senador resvala no teto do funcionalismo: 26.723,13 reais. Seus benefcios incluem apartamento funcional, carro e motorista, verba indenizatria e passagens areas. O trabalho? A presena s  obrigatria de tera a quinta-feira. O que muitos eleitores ignoram  que um em cada cinco integrantes da Casa chegou l sem aparecer na propaganda eleitoral. So os suplentes que, muitas vezes, financiaram a campanha do poltico cabea de chapa. Hoje, dos 81 senadores, dezesseis pertencem a essa categoria. Reportagem no site mostra como agem e o que fazem os polticos que pegaram uma carona at o Senado.

O PRXIMO PASSO DA BUSCA
Descobrir uma msica por meio de um aplicativo ou fazer uma busca com base em uma fotografia j so aes comuns na internet. Os servios de reconhecimento de udio, como Shazam e SoundHound, ganham continuamente em preciso. Os sistemas de reconhecimento de imagem esto sendo aperfeioados por companhias como Google, que aprimoram mtodos para interpretar informaes como cor e forma. Reportagem no site de VEJA revela o estgio dessas tecnologias e o que esperar para o futuro.


2. CARTA AO LEITOR  A VERDADE DOS FATOS
     Uma reportagem desta edio de VEJA avalia os resultados do primeiro ano de trabalho da Comisso da Verdade. Ela foi criada pela presidente Dilma Rousseff com o objetivo especfico de descobrir o paradeiro de pessoas assassinadas durante o regime militar cujos corpos nunca haviam sido encontrados nem conhecidas as circunstncias de sua morte. Sob o ponto de vista de sua misso primordial, a comisso no avanou um milmetro. Nenhuma me, pai, av ou av conseguiu, por meio do trabalho dos membros da comisso, saber do paradeiro de um nico ente querido desaparecido durante o ciclo dos generais. Faltaram empenho e foco. O objetivo inicial acabou desvirtuado pelo desejo de vingana contra os militares, que foi a tnica dos trabalhos. Para que a comisso avanasse nesse caminho, porm, seria preciso revogar a Lei da Anistia, promulgada em 1979 pelo general Joo Figueiredo, ainda durante o perodo ditatorial. A lei anistiou todas as pessoas que cometeram crimes por motivao poltica no Brasil naquele tempo. Na lista dos beneficiados estavam os agentes de represso do estado e, claro, seus alvos, os insurgentes que pegaram em armas e praticaram atos terroristas que, em muitos casos, mataram pessoas inocentes. Foi uma anistia ampla, geral e irrestrita, exatamente como exigiam as faixas de protestos nas ruas. 
     Na Carta ao Leitor da edio em que anunciou na capa a anistia, VEJA afirmou que seria ingnuo imaginar que uma lei fosse suficiente para fazer dormir os agravos de um lado e de outro. O texto diz: "O Brasil do dia seguinte  anistia ser certamente menos injusto que o da vspera, mas no um pas muito diferente nem muito melhor. Em primeiro lugar, anistia no  transforma ningum em democrata, nem anistiantes nem anistiados  cada qual continuar a ser exatamente o que ". A revista no podia ter sido mais feliz em sua anlise. Anistiantes e anistiados estavam sendo perdoados no por terem sido impolutos. Ao contrrio, eles se beneficiaram da Lei da Anistia justamente pelo fato de, na defesa de sua viso de mundo, terem atentado contra a democracia. Os terroristas, treinados e financiados por potncias estrangeiras, por tentarem implantar  fora no Brasil a ditadura do proletariado. Os agentes da represso, por abusarem de seus atributos legais para cont-los muitas vezes de maneira clandestina e criminosa. 
     O que realmente surpreende  que, 34 anos depois de promulgada a Lei da Anistia, as animosidades antigas ainda se mantenham intactas, como se o tempo no tivesse passado. O governo Dilma vem se portando de maneira exemplar ao desaprovar todas as tentativas de radicalizar os objetivos da Comisso da Verdade. Mas, enquanto no aceitarem como fato que o passado  passado e que o mais importante  construir o futuro, os brasileiros com contas a acertar vindas daquele tempo no estaro contribuindo para o bem-estar e a prosperidade da maioria.


3. ENTREVISTA  ABRAHAM SKORKA  O AMIGO JUDEU DO PAPA FRANCISCO
O rabino argentino destrincha as ideias de Francisco, seu companheiro de conversas h duas dcadas, sobre a punio aos padres pedfilos, o casamento gay e o radicalismo religioso.
NATHALIA WATKINS

Poucos entendem to bem a mente do lder da Igreja Catlica quanto este rabino argentino. Quando o papa Francisco ainda era apenas Jorge Mrio Bergoglio e pregava na Catedral de Buenos Aires, entretinha-se em longas conversas com o amigo Abraham Skorka. Nos dias em que os encontros tinham lugar na sinagoga, Skorka oferecia copos de gua e croissants. Quando ocorriam no escritrio de Bergoglio, os petiscos eram biscoitos amanteigados. Caseiros, claro. "Meu amigo sabe que eu s como alimentos kasher e se preocupava em me receber com quitutes preparados dentro das normas judaicas", conta Skorka, que conhece o agora papa h duas dcadas. Em 2010, os bate-papos entre eles foram publicados no livro Sobre o Cu e a Terra. A amizade continua, mas com restries protocolares. "Quando eu for a Roma, ele no poder passear comigo nem sair para tomar um caf", resigna-se o rabino. O projeto de um segundo livro a quatro mos foi deixado de lado. De Buenos Aires, Skorka conversou com VEJA por telefone. 

No livro Sobre o Cu e a Terra, o cardeal Bergoglio, hoje papa Francisco, diz que  contra o casamento gay, mas  tolerante com a prtica homossexual. O que ele quis dizer com isso? 
Nada alm disso. A Bblia no aceita a homossexualidade. No entanto, Francisco e eu vivemos e apoiamos a realidade democrtica, que preza o direito de escolha de cada um. Ns sempre estivemos abertos para escutar os homossexuais. Quando algum se aproxima e diz "Eu sinto assim e amo dessa maneira", ns respeitamos e dizemos que no temos resposta para a sua condio. Se duas pessoas se encontram por meio de um vnculo homossexual e desejam firmar um contrato, no nos opomos. Concordamos com um contrato do ponto de vista material, de direitos e obrigaes. Todos tm o direito de escolha, desde que isso no prejudique os demais. O que rejeitamos  que esse acordo seja chamado de casamento ou que haja uma opo que envolva filhos. Isso seria o que Bergoglio denominava retrocesso antropolgico. 

O que seria um retrocesso antropolgico? 
Quando se leem O Futuro de uma Iluso, do austraco Sigmund Freud, e certas obras do francs Claude Lvi-Strauss sobre as normas de parentesco, aprende-se que as barreiras que freiam nossos impulsos so necessrias. O incesto, assim como a atitude sexual em geral, deve estar submetido a regras. Por meio dessas leis  que o homem pode formar uma cultura. No momento em que algum mexe na essncia dessas regras, passa-se a corroer as bases, as proibies e as barreiras graas s quais foi possvel formar o que conhecemos como cultura humana. Essa ideia aparece claramente quando Lvi-Strauss fala das normas de incesto, justamente no Brasil, em um de seus livros. Freud diz a mesma coisa em seus ltimos artigos, escritos na dcada de 30. 

O papa Francisco deve mudar alguma diretriz da Igreja Catlica a respeito da homossexualidade? 
Esse assunto deve ficar como est, porque no existem respostas. O cristianismo no tem resposta, o judasmo tambm no.  uma norma que aparece na Bblia,  parte do credo. Todas as normas referentes  sexualidade so questes de f. Por que certos parentescos so lcitos e outros so proibidos? Um tio pode casar- se com uma sobrinha, mas uma tia no pode ficar com um sobrinho. Por que  assim? Porque est na Bblia. No h uma razo. Nem sequer podemos explicar isso de outro ponto de vista. Essas so as normas, e elas so uma questo de f. 

Como eram as pregaes de Francisco aos gays? 
Ele me contou uma vez que tratava de ajud-los para que no cassem na promiscuidade e enfrentassem a situao da melhor maneira possvel.  Os cuidados para evitar a promiscuidade valem tanto para homossexuais quanto para heterossexuais. 

Francisco recriminou o lucro a "qualquer preo", mas tambm rejeitou o marxismo. O que isso nos diz sobre ele? 
O papa acredita que os extremos so ruins. Por um lado, um capitalismo selvagem no qual existam milhes de pessoas sem poder levar uma vida digna  incorreto. Por outro, o poder todo concentrado nas mos do estado tambm  errado. O estado no  um ente abstrato.  constitudo por homens. No  certo ento que alguns tenham um poder gigantesco e outros, nada, como no comunismo. A experincia sovitica demonstrou que o comunismo no  vivel. O estado,  claro, deve ter uma funo controladora e reguladora, ningum duvida disso. Mas a propriedade privada deve ser respeitada.  uma das posturas bblicas. O captulo 25 do Levtico diz para cada um ter seu pedao de terra e cultiv-lo. 

O que o papa pensa dos governos populistas da Amrica Latina? 
Ele defende a ideia de que o estado deve se esforar para criar melhores condies de vida para o povo. Isso no significa dar meramente o mnimo para o sustento dirio, e sim ajudar a todos em seu desenvolvimento fsico e espiritual. 

Em Sobre o Cu e a Terra, o papa diz que o fundamentalismo  um tipo de religiosidade rgida que nega a liberdade e impede que as pessoas cresam. Isso implica uma nova leitura do prprio cristianismo? 
Sem dvida. Toda religio deve ser dinmica e ter uma atitude de busca por Deus. Ningum pode dizer que sabe exatamente qual  a verdade e que todos devem aceit-la ou sero destrudos. Como aparece em um versculo do livro do profeta Amos, Deus diz: "Busca-me e lhe direi". O dilogo, ento, deve ser priorizado. O fundamentalismo, como diz Francisco,  um discurso nico, em que a voz do outro no existe. Quando ns dois estudamos o tema da homossexualidade, deparamos com uma atitude com a qual no concordamos. Mas sempre dialogamos. No podemos dizer que somos donos da verdade e ponto. A verdade de uma pessoa no pode ser posta por cima da verdade de outra. 

Os senhores j tentaram explicar a fora do fundamentalismo islmico? 
No fizemos essa anlise. Mas, cuidado. O sculo XX foi cheio de fundamentalismos polticos. O nazismo, o fascismo e o comunismo, em muitas de suas verses. So fundamentalismos com manifestaes pags. Havia um culto a Adolf Hitler. Embalsamaram o sovitico Vladimir Lenin, e sua tumba virou um lugar para rituais. 

Como dialogar com os fundamentalistas e terroristas? 
O nico jeito  esperar que eles mudem de postura e aceitem a existncia do outro. 

Mas o papa no pode fazer nada? 
Pode. Uma das maneiras  reforar os gestos em favor da paz. Vivemos em um mundo cada vez menor e estamos mais unidos uns aos outros. Quando algum se espiritualiza, arrasta muitos para o mesmo caminho. Se um indivduo defende fortemente a paz, talvez muitos fanticos possam acordar e mudar de ideia. No digo mudar seu credo, porque no  o caso, e sim deixar de lado o fanatismo. Esse ser o norte do papado de Francisco. Ele trabalhar com muita humildade e simplicidade pela paz, para levar ares de espiritualidade profundos ao seio da Igreja e cuidar para que isso chegue a todos os homens, de todas as religies. 

Por que o papa disse que o confessionrio no  uma lavanderia? 
A grandeza do papa do ponto de vista sacerdotal e espiritual  que ele quer resgatar o sentido profundo das tradies e dos costumes. Quando ele falou que a mera confisso no  algo em que se lavam os pecados, estava dizendo que a aceitao do erro ou o simples relato superficial no limpam, por si ss, o pecado. Deve ocorrer uma deciso profunda daquele que sabe do seu erro, para que no volte a comet-lo. Tanto Francisco como eu nos inspiramos nas palavras dos profetas bblicos. Eles nos ensinaram que Deus no aprecia sacrifcios se estes no vm acompanhados do arrependimento, da mudana de atitude, da busca da justia e da retificao do pecado. 

O papa pe uma grande nfase no conceito do exame individual de conscincia. No  simplificao demais? 
Francisco fala em termos muito simples, mas no  por serem fceis de entender que eles deixam de ser profundos. Suas palavras tratam da essncia das coisas, de atitudes, e no de mera maquiagem. O exame de conscincia  uma exigncia para toda pessoa espiritual.  o que ns, em hebraico, chamamos de fazer teshuv.  retornar a Deus atravs de um ato de arrependimento, corrigindo os erros que cometemos. Esse  um valor bsico da liturgia religiosa. H livros inteiros na Bblia, a comear pelo livro do profeta Jonas, que nos falam sobre a teshuv. H muitos pargrafos na Tora, no Deuteronmio. Esses versculos dizem que Deus vai retornar ao povo  medida que o povo retornar a Deus.  

O exame individual de conscincia  uma exigncia no s para as pessoas, mas tambm para as instituies, correto? 
Toda mensagem que o papa nos passa sobre espiritualidade deriva dos profetas. Muitas delas se perderam na existncia, na realidade da vida. No so invenes dele. O que ele est fazendo  propor um retorno aos escritos dos profetas e s palavras de Jesus inspiradas nas palavras deles. Um retorno ao Jesus do Evangelho. O papa Francisco quer imprimir uma dimenso de espiritualidade muito forte  Igreja Catlica e, a partir da, a todos que quiserem aceit-la.  um desafio muito grande. Outra questo  abordar todos os problemas dentro da prpria Igreja, como o dos sacerdotes que cometeram abusos. Essa questo faz muito mal ao papa,  Igreja e a todos aqueles que querem transmitir uma mensagem, porque semeia a descrena entre as pessoas. 

O senhor concorda com a ideia de que a no punio aos padres pedfilos  uma maneira de proteger a imagem da Igreja? 
Pelo contrrio. Se a Igreja retificar tudo o que precisa ser corrigido, certamente ter uma imagem muito melhor do que a que tem hoje. A tolerncia com os pedfilos deve ser zero. Francisco acredita que a Igreja deve ter respostas para as angstias existenciais dos indivduos e, ao mesmo tempo, ser um lugar de pureza profunda, e no um lugar em que se pratiquem cultos superficiais. A Igreja deve ser um espao que abrigue um compromisso real com a justia, a verdade, a misericrdia e tudo o que aparece no Evangelho. So valores comuns tanto ao cristianismo quanto  tradio judaica. 

O papa diz que no h obrigao de preservar uma vida em condies extraordinrias, mas ele  contra a eutansia ativa. Qual seria o limite entre essas duas circunstncias? 
A vida de cada um  sagrada e nica. Mas, aqui, a ltima palavra deve ser da cincia. Se uma pessoa est com morte cerebral ou os exames dizem que a situao  absolutamente irreversvel, ento devem ser tirados lentamente os aparelhos que mantm o corao batendo artificialmente. Os limites so os limites da cincia. 

O senhor acredita que o papa realmente reabrir a investigao sobre o papel do papa Pio XII, acusado de ter sido leniente com os nazistas? 
Sim, assim ele se manifestou quando analisamos o assunto. 

Mas isso foi antes de ele ser designado papa, certo? 
 preciso abrir os arquivos primeiro. Ler. Analisar. Mas Francisco acredita que devemos saber a verdade e tem uma conduta nica. O que ele diz ele se compromete a fazer. 

Depois de escolhido papa, ele foi pessoalmente pagar a conta do hotel em que se hospedava. Qual a mensagem desse gesto? 
Ele mostrou que tem os mesmos direitos e obrigaes de todos os outros seres humanos. 

O que o senhor diria a quem v nessas demonstraes de humildade um certo populismo? 
Francisco nunca se isolou no palcio apostlico. Ele sempre gostou de estar junto do povo, compartilhando o futebol e o tango. Isso no tem nada a ver com populismo. 


4. CLAUDIO DE MOURA CASTRO  O OUTRO CUSTO BRASIL
     Os macroeconomistas no se cansam de denunciar o custo Brasil: trapalhadas na taxa de cmbio, juros altos, transportes precrios, burocracia asfixiante, CLT atrasada e por a afora. Mas no  s isso. 
     As indstrias grandes, balizadas pelo mercado internacional, tendem a ser eficientes e produtivas.  o caso dos automveis, avies e produtos em que empresas de Primeiro Mundo trazem os projetos ou impem a qualidade. Mas observo o meu cotidiano e noto a presena insidiosa de outro custo Brasil, ou seja, a mediocridade insuportvel de parte significativa do nosso parque industrial. Cercam-nos de produtos de qualidade lastimvel. 
     A histria explica. Quando se abrem os portos, as importaes invadem o pas. Sem condies mnimas de competir, as tentativas de fabricao eram afogadas pelas importaes baratas. Salvaram-nos as debacles internacionais, que criaram condies para produzir localmente. So as duas grandes guerras e a crise de 1929. 
     No ps-guerra, criam-se protees e reservas de mercado para nossas manufaturas, diante da invaso dos importados. Graas a elas, houve continuidade na industrializao, com a fabricao de uma gama extraordinariamente ampla de produtos. Nas indstrias melhores, criam-se padres de desenho, engenharia e qualidade. Mas a reserva teve como efeito colateral habituar os brasileiros a muitos produtos sem qualidade, feitos por uma industriazinha de roa. 
     Note-se o contraste com pases da sia (Japo, Coreia do Sul, Taiwan e China) cuja indstria j foi criada para exportar. Portanto, seu primeiro desafio  oferecer uma boa relao entre o preo e a qualidade no mercado internacional. Assim sendo, os consumidores domsticos recebem o que passou pelo crivo dos europeus e americanos. 
     Como a avassaladora maioria dos nossos produtos industriais no cruza fronteiras, o consumidor fica  merc da mediocridade das pequenas fabricaes. 
     Vejamos os exemplos. O controle remoto do porto j vem de fbrica funcionando precariamente. Cai ou enferruja o cabo da vassoura. Enguia o mecanismo para elevar o assento da cadeira de escritrio. A ducha higinica vaza. O sol derreteu a fibra da parte de baixo do meu aquecedor solar (e o conserto foi porcalho). Fui ver um chins, que me pareceu muito mais bem construdo. 
     Comprei vrias luminrias residenciais. Ao desmont-las, vi que as chinesas, de mesmo preo, tm uma engenharia melhor e o acabamento  superior (copiaram dos americanos?). As nossas so mal pensadas, pois o fio precisa ir aonde no quer. Custa trabalho e pacincia convenc-lo. Com o calor da lmpada, partiu-se o vidro de uma que havia no teto da sala, e ela desabou em mil pedaos. Algumas h com parafusos cuja fenda  rasa e larga demais, desafiando as chaves de fenda. 
     Pode ser impresso minha, mas acho que o prego americano  um pouquinho melhor que o local. O plstico injetado tem rebarbas. Enferrujam os parafusos sujeitos ao tempo. Nos que fazem os serralheiros, o local da solda sempre enferruja. Isso para no falar nas lajes que vazam e nos azulejos que despencam da fachada dos prdios. Se fosse possvel importar casas da China, nossa construo civil ruiria. Muitos dos nossos produtos so mais caros, piores ou ambos. 
     O que fazer? Em primeiro lugar, tomar conscincia de que nossa produo tende a ser de pssima qualidade (e vivam as excees). Nem  problema de design,  desenho mesmo, antes de quaisquer pretenses estticas. Mas ambos precisam de tnicos fortes. No basta o Sebrae cuidar da gesto da empresa. Justificam-se polticas de certificao e apoio pblico para promover a qualidade. E, tambm, no esquecer os anabolizantes para a raqutica educao dos fabricantes. 
     A concorrncia  um santo remdio. No caso dos veculos, deu um jeito nas nossas "carroas". Precisamos muito dela, mas na dosimetria certa, para o paciente no morrer do remdio. E h a grande lio dos orientais: copiar de quem sabe fazer. Todos imitaram sem pejo. Primeiro fazem igual, depois fazem melhor. 
     Uma sugesto: todo industrial que vai  Disney deveria passar vrios dias nas lojas de ferragens da vizinhana, comprando produtos parecidos com os que fabrica  para desmont-los, ao chegar em casa. Quem sabe o governo financia a viagem?
CLAUDIO DE MOURA CASTRO  economista
claudiodemouracastro@positivo.com.br


5. MALSON DA NBREGA  O NOVO BANCO FEDERAL
     Apesar da forte participao estatal no mercado de crdito, o governo federal d a entender que vai criar mais um banco oficial, que funcionaria disfarado de fundo a ser gerido pelo Tesouro Nacional. Trata-se de um grande equvoco, como se ver adiante. Bancos existem desde a Antiguidade. Eles atuavam na Babilnia, na Grcia antiga e no decorrer do Imprio Romano. Na Idade Mdia, durante a Renascena italiana, bancos em Florena, Veneza e Gnova financiavam comerciantes e governos, neste caso para custear guerras. Muitos quebravam quando os reis no pagavam as dvidas. 
     Na forma atual, os bancos surgiram na Holanda e na Inglaterra entre os sculos XVI e XVII com a expanso do comrcio derivada dos grandes descobrimentos e com as mudanas institucionais da Revoluo Gloriosa (1688), que limitou o poder dos reis ingleses, promoveu a segurana jurdica e criou o ambiente de negcios tpico do sistema capitalista.  
     O crdito se expandiu na esteira dessas e de outras inovaes, mas tambm experimentou instabilidades. A maior oferta de financiamento acarretava surtos de euforia e desastrosas bolhas especulativas. A mais famosa delas foi a das tulipas, na Holanda (1636-1637). Uma tulipa chegou a valer dez vezes o salrio anual de um arteso. Em alguns momentos, o preo dessa bela flor equivaleu a 25 toneladas de trigo. 
     A disseminao dos bancos e de sua capacidade de receber depsitos trouxe outro problema: a corrida bancria. Nos momentos de pnico, os depsitos eram sacados de uma vez. Sem poderem receber antecipadamente os emprstimos, os bancos quebravam em cadeia. Estouro de bolhas e corridas bancrias interrompiam subitamente o crdito, provocando efeitos devastadores para a economia e a sociedade.  
     Os bancos haviam se tornado fonte valiosa de desenvolvimento, mas era preciso limitar a assuno irresponsvel de riscos e estabelecer mecanismos para lidar com corridas bancrias. Nos sculos XIX e XX, foram criadas instituies para regular o sistema financeiro e estabelecer regras prudenciais, visando a evitar crises ou limitar seus efeitos. Hoje, essas regras integram os chamados Acordos de Basileia  ora na terceira edio , coordenados pelo Banco de Compensaes Internacionais, com sede nessa cidade sua. As respectivas normas so aprovadas em cada pas. 
     Mesmo assim, as crises acontecem. Bancos conseguem contornar restries para a expanso de seus negcios, enquanto a m regulao e dificuldades de detectar riscos pelos reguladores criam as situaes em que acontecem os desastres. O aprendizado com as crises  permanente e o processo de regulao, interminvel. 
     Em resumo, a economia requer um bom sistema financeiro. Se os mercados no cumprem bem esse papel, particularmente no investimento, a falha deve ser suprida pelo governo, via instituies estatais. Tambm no se pode dispensar a regulao, em especial a que trata de normas prudenciais, dos riscos e da relao destes com a base de capital dos bancos. 
     Desafiando a experincia de quatro sculos, o governo sinaliza que vai criar um banco no Tesouro Nacional sem os requisitos de prudncia que o Banco Central exige do sistema financeiro. A nova instituio, disfarada de fundo, financiar a infraestrutura via repasse de recursos a bancos. Para suprir tais recursos se recorreria a uma indesejvel ampliao da dvida pblica. O fundo no teria base de capital para enfrentar os riscos tpicos de operaes de crdito. Ademais, o Tesouro dificilmente dispe de pessoal habilitado a avaliar tais operaes. 
     Mesmo que no fosse preciso elevar a dvida federal bruta, que nos ltimos anos tem aumentado para que bancos estatais expandam seus programas de financiamento, a maior oferta de crdito para a infraestrutura deveria caber ao BNDES, que acumulou longa experincia na matria. 
     Suspeita-se que o novo "banco"' vise a contornar as normas que a regulao prudencial impe ao BNDES, como capital mnimo e limite por cliente. No Tesouro, isso pode ser negligenciado. Por incrvel que parea, o governo ter de contar com a prudncia dos bancos para evitar a assuno inconsequente de riscos e seus efeitos na economia. No d para acreditar.
MALSON DA NOBREGA  economista


6. LEITOR
ANGELINA JOLIE E O CNCER DE MAMA
Excelente a reportagem da jornalista Natalia Cuminale ("O valor maior de Angelina", 22 de maio). Mesmo com apenas 18 anos, j carrego comigo certo temor. Aos 13 anos, perdi minha me para o cncer. Ela faz parte desse nmero alarmante de mulheres que no alcanam a cura e morrem. Para mim foi um alerta saber da deciso de Angelina. Isso me ajudou a entender que, por ter histrico de cncer em minha famlia (duas tias maternas tambm tiveram a doena e morreram em decorrncia dela), preciso me cuidar bastante.
THAYNNARA MELO
Uberaba, MG

Alm de linda e talentosa, Angelina provou ser uma excelente me, que ama seus filhos acima de qualquer possvel imperfeio corporal, pois para ela a felicidade de estar com os filhos no tem preo. Estou encantado com a atitude dela.
JHONY Ross ALVES MARTINS
Curitiba, PR

Os filhos no pediram para nascer, nem para ser adotados; foi uma opo familiar. Por isso mesmo, o peso da responsabilidade quanto a sua criao. Bravssima atitude!
CHAJA FREIDA FINKELSZTAIN
Rio de Janeiro, RJ

A deciso de Angelina foi um ato 'demasiadamente humano' de autopreservao e de amor aos filhos e  prpria vida, acima de convencionalismos estticos e do fugaz mundo fashion e vip.
Luiz HOMERO CMARA MEDEIROS
Recife, PE

A incorporao de conhecimentos de gentica e biologia molecular do cncer na prtica clnica tem possibilitado uma interao positiva que resulta em maior benefcio aos pacientes. Estamos evoluindo.
GUSTAVO NADER MARTA
Mdico do Centro de Oncologia/Servio de Radioterapia do Hospital Srio-Libans
So Paulo, SP

 importante lembrar que a sndrome hereditria mama-ovrio se refere a 5% a 10% dos casos. Posturas radicais diante da possibilidade de desenvolver um cncer de mama durante a vida seguramente no se aplicam a todas as mulheres nem devem ser consideradas a melhor opo. A deciso radical envolve aspectos culturais. Na Europa, por exemplo, as mulheres preferem retirar as trompas e os ovrios em vez das mamas. Assim, a reduo do cncer de ovrio e de trompa  de cerca de 95% e a reduo do risco de desenvolver cncer de mama  de cerca de 60%. Enfim,  importante lembrar que um rastreamento eficiente compreende um diagnstico inicial, que geralmente abre caminho para a cura.
SILVIO BROMBERG
Mastologista do Centro de Oncologia do Hospital Israelita Albert Einstein
So Paulo, SP

No Hospital Amaral Carvalho, em Ja (SP), referncia em oncologia no interior paulista, existe um grupo de mastologia e cirurgia plstica que realiza esse procedimento h vrios anos. As pessoas famosas e formadoras de opinio devem expor sua vida privada para que a humanidade possa se espelhar e se beneficiar desse bom exemplo.
ROMEU FRISINA FILHO
Ja, SP

H doze anos venci o cncer de mama, graas ao diagnstico precoce. Angelina Jolie agiu com determinao e a favor de sua vida. Tomaria a mesma deciso. Quem passa pela doena ou tem na famlia pessoas com cncer quer se livrar do problema. Para mim, ela contribuiu para o mundo, alertando em especial as mulheres para os cuidados com seus exames e o enfrentamento da doena. Sua coragem nos motiva a continuar nossa luta.
TNIA MARY GOMEZ
Presidente do Instituto Humsol
Curitiba, PR

Durante meus exames preventivos, tive a infelicidade de constatar que eu era uma das 53.000 mulheres brasileiras com o diagnstico de cncer neste ano. Semanas atrs fiz a mastectomia em minha mama esquerda. Como a atriz Angelina Jolie, cuja coragem e determinao eu admiro muito, estou com uma prtese expansora, j tirei o dreno, e a prtese definitiva ser colocada daqui a alguns meses. Vou dar a volta por cima com muita f e determinao.
ISABEL DE NORONHA BOECHAT VO
Braslia, DF

Fiz a mastectomia, sim, e faria tantas outras cirurgias que me garantissem a reduo no grau de risco de ter a doena.
ELIZABETH DE CASTRO LOMASKI
So Paulo, SP

Tive acesso aos mdicos dos melhores hospitais do Brasil e no me considero uma herona: apenas uma mulher normal que venceu uma doena difcil. As heronas de fato so todas as mulheres diagnosticadas com cncer de mama que, a despeito da dificuldade encontrada no invasivo tratamento dessa doena, conseguem viver, trabalhar, amar sua famlia e, acima de tudo, ter a esperana de cura.
NILCEMEIRE ALVARES FOCHI SILVEIRA
So Paulo, SP

 bem mais fcil ter coragem quando se pode contar com recursos financeiros, pronto atendimento mdico e, semanas depois, ter implantes definitivos que certamente deixaro seus seios to bonitos quanto os que ela tinha naturalmente...
NARA COELHO
Recife, PE

LYA LUFT
O artigo "Exerccio de otimismo" (22 de maio), de Lya Luft, reportou um Brasil ingnuo e puro, onde o PT no corrompia e os outros partidos no se deixavam corromper. Ento pensei: os rus do julgamento do mensalo vo cumprir suas penas sem exceo. Esse foi meu exerccio de otimismo cvico num nublado dia de domingo. Valeu, VEJA! Estou feliz!
MARA LCIA SANDER SOPRANA
Itapema, SC

Em seu artigo, Lya nos oferece a mais pura e bela filosofia tal como deve ser, parte integrante do homem.
HLDER GARCIA
Braslia, DF

Eu acrescentaria que no existe inverno para quem tem primavera no corao.
VALDEVINO L. DE CASTRO
Taubat, SP

Aprecio o olhar carinhoso que a autora tem para a vida e estava mesmo sentindo falta desse exerccio de otimismo.
CARLA VALERIA AMORIM HORSTH
Ipatinga, MG

GUSTAVO IOSCHPE
Sou professor e achei timo o artigo "Educao e tecnologia: o sarrafo subiu" (22 de maio), de Gustavo Ioschpe. Falta sensibilidade a muitos professores e gestores para perceber que j estamos no sculo XXI e todos so capazes de utilizar as novas tecnologias.  cmodo achar um vilo, pr a culpa em algum. As crianas e adolescentes de hoje, se mobilizados pela escola, do show de envolvimento e participao. Muitas escolas mostram isso, at mesmo em comunidades carentes e sem recursos.
AGNALDO BINO
Agudos, SP

No devemos nos tornar escravos da tecnologia, mas devemos ser inteligentes o suficiente para utilizar todos os benefcios que ela nos traz e us-la a nosso favor.
PRISCILLA DALLARI
Por e-mail

 bem verdade que professores competentes para ensinar e motivar seus alunos possam ter sucesso sem fazer uso da tecnologia, como acontecia e ainda acontece em algumas escolas. Contudo, o uso da tecnologia completa e alarga as possibilidades de aprendizagem do aluno atual. Por outro lado, de nada adianta a tecnologia se no for utilizada por professores competentes. Gustavo Ioschpe merece ser aplaudido por ter aberto um assunto que deve ser debatido no Brasil.
IGNEZ MARTINS TOLLINI
Ph.D. em educao
Braslia, DF

ACIO NEVES
Bela reportagem "O dia D de Acio'' (22 de maio). Faz a gente lembrar de Tancredo Neves, que seria o nosso "salvador da ptria". Quem sabe agora o seu neto, Acio Neves, venha realizar o que o presidente eleito, Tancredo Neves, no conseguiu. Ele merece uma chance de todos os brasileiros.
AMARO OSCAR DE OLIVEIRA
Piracicaba, SP

Acio nunca esteve preparado para ocupar a Presidncia da Repblica, ainda mais aps doze anos da era da mediocridade.
NLIO SANTANA
Santa Maria, RS

O dia D de Acio Neves ser mesmo em 5 (ou 12) de outubro de 2014  domingo de eleio para presidente do Brasil. Espero que nessa eleio ele tenha conquistado as classes C e D e seja muito conhecido por cada um dos brasileiros. No dia em que ele aparecer em Curitiba, quero desejar boa sorte. O bem tem de vencer essa guerra contra a corrupo. Se a oposio no derrotar o PT em 2014, Dilma e Lula faro do Brasil uma nova "democracia", com revezamento no poder. Acio no comando do PSDB  tima notcia, e melhor se o senador lvaro Dias aceitar ser o seu vice.
WALDOMIRO TARCSIO PADILHA DE OLIVEIRA
Curitiba, PR

Que venha o perodo dos Acios. Fernandos, Joaquins, Elianas, Pedros e tantos outros para reconduzir o Brasil ao prumo. Quem, como eu, j votou no sombrio PT tem a responsabilidade de contribuir para voltar  luz.
IVONETE SILVA MONTEIRO SEIXAS
Parnamirim, RN

CNCER DE MAMA 2
A reportagem "O valor maior de Angelina (22 de maio) esclarece a evoluo de prognsticos e tratamentos contra o cncer de mama no Brasil e no mundo. Vale salientar que existem alternativas de grande utilidade para as pessoas que se preocupam com suas mutaes genticas e a provvel manifestao da doena em seus filhos. A medicina reprodutiva pode prevenir esses erros" por meio do diagnstico gentico pr-implantacional (DPI), exame capaz de identificar o gene mutado (alterado)  como o BRCA1/2. causador da doena. Aliada  fertilizao in vitro, essa tecnologia permite  mulher se precaver da possibilidade de gerar filhos que, no futuro, possam desenvolver a doena.
EDUARDO LEME ALVES DA MOTTA
Diretor do Grupo Humington Medicina Reprodutiva
So Paulo, SP

FISCAIS MILIONRIOS
Espetacular a ilustrao da reportagem. "Milionrios com o dinheiro alheio" (22 de maio), que representa a cena do fiscal todo cheio de si e a expresso do operrio ao receber uma notificao. Mostra fielmente a realidade do ser humano sem carter afrontando um trabalhador. Se houvesse um museu de cenas crticas, esse desenho deveria abrir como alegoria.
ROBERTO GRILLO CUNEO
Florianpolis, SC

Muito louvvel a atitude da prefeitura de So Paulo em querer coibir o enriquecimento ilcito de seus funcionrios pblicos. Deveria servir de incentivo para a criao de uma lei semelhante para fiscalizar e, qui, coibir a aquisio de fortunas em pouqussimo tempo pelos polticos brasileiros.
ANTNTO CARLOS DO NASCIMENTO
Recife, PE

ROBERTO AZEVEDO
VEJA nos brindou com a entrevista "O novo guardio do livre mercado" (22 de maio), concedida pelo embaixador brasileiro Roberto Azevedo, o novo comandante da Organizao Mundial do Comrcio (OMC). Um feito desse quilate inspira jovens na prtica das melhores virtudes.
CARLOS ALBERTO LIMA
Florianpolis, SC

PORTOS
A reportagem "O comeo do fim do caos" (22 de maio), do jornalista Marcelo Sakate,  reveladora. Organizei, em setembro de 2012, para a Frente Parlamentar Mista de Melhoria da Gesto Pblica, o seminrio "Logstica e transporte". Os resultados nesse setor so assustadores. Temos prejuzo anual de 82 bilhes de dlares em razo dos entraves de infraestrutura de transporte. O frete a mais que pagamos para exportar nossos produtos daria para reaparelhar os portos. Estamos em um caminho que enfrenta dois equvocos corporativos. Um, dos que dominavam os negcios porturios com contratos e privilgios superados. O outro, dos estivadores que, em nome de um sindicalismo sofrido, querem na verdade engordar ganhos e estancar o progresso. Parabns ao articulista e  presidente Dilma, que, com coragem, enfrenta os dois polos do atraso: o empresarial e o dito operrio.
ANIBAL TEIXEIRA
Ex-ministro do Planejamento e presidente do Instituto JK
Belo Horizonte, MG

ESCNDALOS NO GOVERNO OBAMA
O presidente americano Barack Obama, anos atrs, em um momento de devaneio, disse que Lula era "o cara". Pois , parece que ele aprendeu com seu dolo a nada ver, nada ouvir e nada saber  com a diferena de que os EUA so um pas srio. Obama ter de se explicar... ("Abuso de poder". 22 de maio).
CARLOS ANTONIO COIMBRA
Natal, RN

No quesito "eu no sabia"', quem  o professor, Obama ou Lula?
ELIZABETH HEIDEMANN ROCHA
Maring, PR

PARA SE CORRESPONDER COM A REDAO DE VEJA: as cartas para VEJA devem trazer a assinatura, o endereo, o numero da cdula de identidade e o telefone do autor, Enviar para: Diretor de Redao, VEJA  Caixa Postal 11079  CEP 05422-970  So Paulo  SP; Fax (11) 3037-5638; e-mail: veja@abril.com.br. Por motivos de espao ou clareza, as cartas podero ser publicadas resumidamente. S podero ser publicadas na edio imediatamente seguinte as cartas que chegarem  redao at a quarta-feira de cada semana.


7. BLOGOSFERA
EDITADO POR KTIA PERIN kperin@abril.com.br

RADAR
LAURO JARDIM
TIAGO ABRAVANEL
O Ministrio da Cultura autorizou a Abrava Produes Artsticas a captar 5,5 milhes de reais para a produo do musical A Sesso da Tarde  Ou Voc No Soube Me Amar. O espetculo tem direo geral e participao de Tiago Abravanel. www.veja.com/radar 

NOVA TEMPORADA
FERNANDA FURQUIM
DOCTOR WHO
O canal BBC confirmou a oitava temporada da srie Doctor Who, prevista para 2014. Antes disso, os fs podero assistir, em novembro, a um especial sobre a srie. www.veja.com/temporada 

COLUNA
REINALDO AZEVEDO
JUSTIA
A Comisso da Verdade busca compensar a sua irrelevncia com factoides. Seu objetivo sempre foi levar as Foras Armadas para o banco dos rus. At havia pouco, a turma mirava em militares da reserva. Agora, os da ativa entraram na mira. www.veja.com/reinaldoazevedo

VIVER BEM
ENEIDA RAMOS
FRUTAS
Mirtilo  uma fruta pouco consumida no Brasil, mas riqussima em nutrientes e com forte ao antioxidante. A verso congelada conserva as propriedades benficas  sade. www.veja.com/viverbem 

SOBRE IMAGENS
LAURENTCHHRE
Fantasia, sonho, irrealidade, mentira. Na srie Flying Houses, o fotgrafo francs Laurent Chhre desperta essas sensaes no espectador, que, num primeiro momento,  capturado pela curiosidade e pela beleza das imagens. Mais do que isso, porm, as casas voadoras de Chhre isolam e destacam aspectos de uma Paris que quase nunca se observam. Depois do primeiro impacto, as fotografias realizadas na regio nordeste da cidade mostram a tristeza e o abandono das metrpoles. Algumas dessas fotografias esto expostas em So Paulo desde o ltimo dia 24.
www.veja.com/sobreimagens 

SOBRE PALAVRAS
DIAS DA SEMANA
 curiosa a histria do batismo dos dias teis em portugus. Por que tera-feira, segunda-feira e quarta-feira? So dvidas ingnuas, do tipo que uma criana poderia formular, mas isso no quer dizer que a explicao seja evidente. A nossa feia e burocrtica ter-afeira vem do latim eclesistico feria tertia, ou seja, terceiro dia, por obra da impressionante fidelidade de Portugal a Roma. Conta o fillogo Silveira Bueno, recuando at os tempos do papa Silvestre II (950-1003): Mandou o papa que as naes crists abandonassem os nomes pagos dos dias da semana e adotassem a nomenclatura da Igreja. S Portugal obedeceu".
www.veja.com/sobrepalavras

QUANTO DRAMA!
AMOR A VIDA
Quase sempre mostrados como tipos divertidos e de bom carter, os homossexuais masculinos costumam causar furor quando aparecem como viles na fico. O maldoso Felix (Mateus Solano) de Amor  Vida, que em dois captulos conquistou o corao dos noveleiros, tem tanto impacto quanto, por exemplo, o Mrio Liberato de Roda de Fogo, de 1987. Lngua afiada, ar misterioso e um certo olhar enjoado para as mulheres que cruzam seu caminho so elementos fundamentais na construo desses personagens. Sete deles esto no blog.
www.veja.com/quantodrama 

 Esta pgina  editada a partir dos textos publicados por blogueiros e colunistas de VEJA.com


8. EINTEIN SADE  HIPOTERMIA APS PARADA CARDACA
Resfriamento do corpo pode reduzir sequelas neurolgicas e contribuir para a recuperao do paciente.

     Para os leigos, parece fico cientfica. Para os mdicos, no entanto, a hipotermia j  uma antiga conhecida e utilizada com frequncia h mais de 10 anos em unidades de terapia intensiva e prontos-socorros. Longe de ter o aparato tecnolgico que mexe com a imaginao da populao, o procedimento consiste apenas em reduzir a temperatura corporal de quem sofre uma parada cardaca e no recobra a conscincia, a fim de reduzir possveis sequelas neurolgicas. 
     Quando o corao para, consequentemente a circulao tambm para. O crebro, rgo do corpo que mais consome oxignio,  um dos primeiros a sofrer com a falta de nutrientes e da oxigenao necessria. Alguns segundos depois da parada cardaca, ele "desliga" e a pessoa perde a conscincia  
     Nesse momento, uma srie de reaes acontece no tecido cerebral, levando  morte das clulas. Quanto maior o tempo sem batimento cardaco, maiores os danos. E mesmo depois que o corao volta a bater as leses neurolgicas continuam evoluindo. Por isso a hipotermia funciona como uma aliada na diminuio do metabolismo cerebral e no consumo de oxignio, freando a degenerao. 
     A temperatura normal de um ser humano est entre 36C e 37C. Com a reduo para algo em torno de 32C a 34C tudo passa a acontecer lentamente no corpo. O procedimento deve ser iniciado logo aps o corao voltar  bater e pode ser feito de forma invasiva  por meio da aplicao de soro gelado ou por meio de dilise gelada  ou no invasiva  com compressas frias sobre regies de grande circulao, como a virilha ou axilas, ou colocao de mantas trmicas que conservam a temperatura baixa. A meta  no somente resfriar o paciente no menor tempo possvel, mas manter a temperatura sem oscilaes. 
     A hipotermia dever ser mantida por 24 horas, perodo que o paciente fica mais suscetvel a desenvolver infeces e a apresentar presso mais baixa. A seguir  preciso reaquecer o corpo de forma lenta e gradual, o que pode levar at 24 horas adicionais.  
     Um fator importante a ser considerado, contudo,  que a hipotermia no deve ser aplicada quando h recuperao da conscincia aps a parada cardiorrespiratria. Da mesma forma, pacientes em estado de choque, com circulao comprometida, com sangramento ativo (a baixa temperatura piora a coagulao) ou, ainda, com algum quadro infeccioso (a resposta do sistema de defesa do organismo  afetada) no podem ser submetidos a esse processo. 
     Pesquisas cientficas vm sendo realizadas para avaliar se a hipotermia pode trazer benefcios a outras reas do corpo alm do crebro. Por enquanto, o que se pode afirmar  que a tcnica tem sido de grande valia na reduo dos danos neurolgicos em pacientes que foram submetidos ao procedimento aps uma parada cardiorrespiratria.

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Responsvel Tcnico:
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